Tão importante quanto contratar mais funcionários para as Comdecs é valorizar o papel da população na prevenção a desastres. Os primeiros treinamentos a moradores de áreas de risco começam a sair do papel, mas o desafio é convencê-los da importância das reuniões e simulados oferecidos na capacitação, que tem por intuito ensinar noções básicas de como prever riscos, providenciar uma primeira resposta em caso de desastre e dar atribuições aos moradores após a ocorrência. Em Curitiba, a experiência é feita há mais de um ano com a comunidade do Bairro Alto, o NuDec.
“Com esse treinamento, os moradores sabem que, se chover tantos milímetros, devem erguer os móveis, sair de casa, alertar os vizinhos, se organizar para abrir os abrigos e distribuir os mantimentos, entre outras funções. Eles se envolvem e se sentem valorizados”, diz o coordenador técnico da Comdec da capital, Nelson de Lima Ribeiro. Curitiba segue o mesmo procedimento adotado por outras cidades e tem como parceiros os conselhos comunitários de segurança e associações de moradores. “Ao invés de criar uma estrutura do nada, valorizamos o que existe. Já havíamos tentado com outro bairro, mas não havia dado certo justamente porque não aproveitamos essa estrutura e não conseguíamos nos aproximar da comunidade”.
Mesmo quem não mora em áreas de risco também pode colaborar com as Comdecs, com trabalho voluntário. Na capital, 30% dos mais de 2,5 mil já capacitados estão nessa condição. A administradora Érica Witt-Bizz é uma das voluntárias em Curitiba, ao lado de professores, vendedores, estudantes e radioamadores já treinados.
O interesse surgiu após Érica acompanhar pela televisão o trabalho dos voluntários da Defesa Civil nas enchentes de Santa Catarina. “Mas eu não queria trabalhar só na distribuição de alimentos e roupas, que acho importante. Queria ajudar ainda mais, pôr a mão na massa”. O “mais” foi possível com a formação como socorrista-resgatista, que permite entrar em áreas fechadas, realizar atendimento pré-hospitalar e fazer o resgate. Após a formatura, Érica inscreveu-se como voluntária no site da Comdec.
Érica já deu treinamento a voluntários, participou de simulações com feridos e capacitou agentes de segurança para atuar na Copa de 2014. Mas afirma que o voluntariado é trabalho sério, com treinamento nos finais de semana e disposição para atuar quando for chamado. “Estou preparada. Visto a camisa da Defesa Civil, e embora não torça pelo pior, vou ter prazer em ajudar quando precisarem. Até para o Rio eu iria, se me chamassem”.
Serviço:
Quem deseja atuar como voluntário em Curitiba pode se cadastrar no endereço www.defesacivil.curitiba.pr.gov.br/CadastroVoluntarios.aspx